Os desafios da integração de jovens migrantes no Paraná e caminhos para superá-los

 

A história do Paraná se confunde com a migração. Nosso estado, sem os migrantes, não seria como o conhecemos atualmente. Africanos, europeus, asiáticos e médio-orientais contribuíram para a construção da enorme diversidade que podemos encontrar atualmente em nossa culinária, cultura e arquitetura. A identidade paranaense é resultado dessa mistura de origens e sotaques.

A migração fez e faz parte de todos os países do mundo. Do Brasil, milhares de pessoas partem para outros países em busca de um futuro melhor. E o contrário também acontece. Nos últimos anos, em busca de melhores condições de vida, mais de 264 mil venezuelanos solicitaram a regularização migratória no Brasil. A principal porta de entrada destas pessoas é a fronteira terrestre com o estado de Roraima, no norte do país.

É nesse contexto que a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a Agência das Nações Unidas para as Migrações, apoia a integração dos migrantes vulneráveis no Paraná. O trabalho da OIM visa à integração socioeconômica dos venezuelanos e outros migrantes em situação de vulnerabilidade no Brasil, tendo como objetivo proporcionar a essas pessoas o acesso a meios de subsistência sustentáveis e a oportunidades de emprego formal, por meio de programas de formação profissional, cursos de idiomas, colocação no mercado de trabalho, entre muitas outras atividades.

Migrar é sempre um desafio pessoal e profissional. Aprender um novo idioma e adaptar-se a uma nova cultura em um contexto de vulnerabilidade social, no qual se encontram muitos dos migrantes que chegam ao país, é geralmente um caminho árduo. Para os migrantes que desejam permanecer no Brasil, a OIM acredita que a integração econômica é a solução duradoura para que possam recomeçar suas vidas de maneira independente.

Para adolescentes e jovens adultos em início de carreira, com pouca ou nenhuma experiência laboral, alcançar essa integração implica uma dose extra de dificuldades. A falta de experiência, o desconhecimento sobre o mercado de trabalho no Brasil, um idioma distinto; essas são algumas das barreiras que os mais jovens precisam enfrentar.

A venezuelana Honeymar F., de 18 anos, vive em Curitiba e compartilha um pouco desses desafios: “Faz seis meses que moro em Curitiba, gosto muito da cidade e já me acostumei ao frio. Na Venezuela, meu pai tinha um pequeno negócio de doces e eu o ajudava com as vendas. Quando saio para entregar currículos, a resposta que frequentemente recebo é de que não há vagas disponíveis para aprendizes. Para mim, essa é a maior dificuldade: conseguir uma oportunidade de trabalho estável.”

Porém, com a abertura das empresas à contratação desses jovens, tais barreiras podem ser superadas, com retornos positivos para as empresas. São jovens motivados, com talentos e ideias novas e que almejam uma oportunidade não só para melhorar sua condição de vida e a de suas famílias, mas também para contribuir ativamente com a economia do país. As empresas, por sua vez, ganham em diversidade e na valorização da marca diante dos consumidores mais atentos às políticas de responsabilidade social. A integração do imigrante ao mercado formal de trabalho traz, assim, benefícios para toda a sociedade.



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