Inclusão de pessoas com deficiência no mundo do trabalho melhorou nos últimos anos, mas ainda precisa superar barreiras

Entre 2003 e 2018, vínculo formal de pessoas com deficiência no Brasil cresceu 180%, mas ainda assim atinge apenas 50% das cotas oferecidas para essa população

A Lei de Cotas, que estabelece que empresas com 100 ou mais funcionários são obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com pessoas com deficiência, gerou um avanço grande na inclusão de pessoas com deficiência no mundo do trabalho. De acordo com os dados do Governo Federal, no ano 2000, apenas 11% dessas vagas eram preenchidas. Em 2018, esse número subiu para 50%.

Outra boa notícia é que em torno de 100 mil vínculos empregatícios de pessoas com deficiência foram criados sem a exigência da Lei de Cotas em 2018, em empresas com menos de 100 funcionários, por exemplo.

Isso mostra que “há espaço para intensificar a inclusão deste público no mercado de trabalho, mesmo sem a obrigatoriedade legal”, aponta o relatório “Proteção e Promoção Social de Pessoas com Deficiência no Brasil: uma abordagem a partir de indicadores sociais e relatos de caso”, promovido pela SAGI – Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação do Governo Federal.

Desafios

Embora esses avanços sejam muito positivos, há ainda um longo caminho para a inclusão de pessoas com deficiência no mundo do trabalho. Questões como superação do preconceito, adaptação do ambiente de trabalho e treinamento e capacitação nos departamentos de RH são fundamentais para uma evolução nesse sentido.

No mesmo relatório, os dados mostram que, quando são consideradas pessoas com deficiência entre a população mais socialmente vulnerável,  a inclusão ainda está distante de ser suficiente. Cerca de 7% das pessoas com deficiência cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, ferramenta que mostra os dados das pessoas mais socialmente vulneráveis do país, informaram algum tipo de trabalho, o que representa pouco mais de 300 mil indivíduos. 

Deste total, 222.556 estão no mercado informal. Ou seja, três em cada quatro trabalhadores com deficiência inscritos no Cadastro Único estão na informalidade, sem os direitos trabalhistas oferecidos por empregos com carteira assinada. 

 

Atualmente, cerca de doze milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência no Brasil – quase 7% da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 



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